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Sabiá e Base Jump: uma carreira repleta de “segundos de adrenalina”

Por Nilton Sergio

Saltar com o bom e velho pára-quedas já é algo emocionante por si só, com seus consideráveis riscos e exigências técnicas. Agora, o que dizer de pular com o equipamento de um objeto fixo, de altura baixa, ao contrário do tradicional vôo de avião a centenas de metros? Esse é o Base Jump, um dos esportes mais perigosos e radicais da atualidade.

Base vem da sigla formada pelas palavras Bulding, Antenna, Span e Earth (prédio, antena, ponte e montanha), que são os quatro pontos possíveis para o salto da modalidade. Trata-se de uma esporte que não permite erros, já que sua curta duração não permite sequer a utilização de pára-quedas reserva.

O Base Jumper, como é chamado o praticante, tem de aplicar a técnica corretamente e possuir um timing perfeito, caso contrário a conseqüência pode ser fatal. Tendo como pano de fundo paisagens exóticas ou metrópoles com sua beleza particular, o Base é uma mistura de pura adrenalina, sangue frio e perícia, com apenas poucos segundos separando a glória da morte.

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No Brasil, o principal expoente do Base Jump é Luiz Henrique Tapajós, 34 anos, um cara para lá de radical que atende pelo apelido de Sabiá. Com um currículo de aproximadamente 1,5 mil saltos, ele vem popularizando a modalidade na televisão apresentando os saltos mais audaciosos no programa Esporte Espetacular, da TV Globo. Em seu repertório, podemos citar performances no Congresso Nacional, Torre Eiffel (França) e um grande número de acidentes geográficos famosos, dentro e fora do País. A seguir, você conhece um pouco mais sobre esse paulistano que tem muita história para contar.

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Sportweb: Fale um pouco sobre você. Atualmente, você vive do Base Jump ou mantém alguma outra atividade?

Sabiá: Sou formado em Cinema na UGF, sou pára-quedista, cinegrafista, fotógrafo e trabalho com televisão (ESPN Brasil e TV Globo). Faço demonstrações de saltos por todo Brasil. Base Jump é uma das minhas atividades, uma atividade que está dentro da minha vida 100%. Salto sempre que posso, já acumulando cerca de 1500 saltos de Base em 10 anos. É trabalho e diversão.

Sportweb: Todos sabem que os esportes radicais envolvem riscos. Mas como é praticar uma modalidade em que muitas vezes é necessário pular de lugares proibidos? Como você dribla esse problema?

Sabiá: Pratico Base Jump! As pessoas que mostram fugas incríveis após saltos não são Base Jumpers, fazem isso para se mostrar pois tecnicamente não têm capacidade para saltar direito, aí chamam a atenção com esse tipo de atitude. Saltei do Congresso Nacional, do Elevador Lacerda, Torre AltaVila (BH), das Petronas Twin Towers (Malásia), prédios, pontes, montanhas, torres, hidroelétricas, entre outros tantos. A policia é minha amiga. Está sempre para me ajudar com o trânsito, segurança e outras coisas. “Lugar proibido” só existe 1 e fiz 6 saltos. Lugares sem autorização também já saltei muito. É simples, é só fazer direito.

Sportweb: Como é que você foi acabar no Base Jump? Conte um pouco da sua trajetória até chegar nesse esporte?

Sabiá: Já saltava de pára-quedas havia 10 anos quando iniciei no Base Jump. Já havia sido campeão brasileiro em algumas modalidades do pára-quedismo. Saltava muito e aí surgiu o interesse pelos saltos de objetos. Foi uma coisa que aconteceu na minha vida, nada forçado. Conheci Mark Hewit, o melhor Base Jumper do mundo na época, um dos precursores do esporte no mundo. Ele me ensinou as técnicas e comecei a saltar na Florida (Estados Unidos).

Sportweb: Qual foi o salto mais perigoso que você já fez? Por que?

Sabiá: Foram vários, mas a cachoeira da Fumaça foi disparado um dos mais perigosos pela dificuldade de pouso e a distância a ser percorrida a pé, antes e depois.

Sportweb: Descreva o que você sente naqueles poucos segundos de queda?

Sabiá: Essa é boa! Depende muito do tipo do salto, pode ser o maior prazer e curtição, até uma pura concentração e objetividade ate pousar com segurança. No Base Jump não existe regra, uma vez que cada objeto tem sua peculiaridade. Uma coisa é fazer vários saltos do mesmo lugar, outra é saltar de lugares onde ninguém nunca saltou, que é a minha especialidade.

Sportweb: Qual foi o salto que mais lhe deu orgulho? Por que?

Sabiá: Cachoeira da Fumaça, Congresso Nacional, Torre Eiffel, Petronas Twin Towers, Elevador Lacerda (Bahia), Torre AltaVila, El Capitain, Gruta dos Brejões. Todos saltos muito especiais, cada um com sua magia.

Sportweb: E aquele que você gostaria de esquecer?

Sabiá: Nenhum.

Sportweb: Há quem diga que o Base é quase suicídio. Na sua opinião, é mais perigoso que outros esportes radicais?

Sabiá: É perigoso sim, o risco existe sempre. Não basta abrir o pára-quedas, tem de abrir direito, reto, no lugar certo, na altura certa. Tem de estar sempre esperto. Com certeza está entre os esportes mais perigosos, mas também não é assim como as pessoas acham. Acredito que Base Jump não é para qualquer um, nem para qualquer hora, nem para qualquer lugar.

Sportweb: E sobre todo esse destaque no Esporte Espetacular. Como você encara essa exposição na mídia? Tem ajudado a difundir o esporte, trazer apoio e patrocínio?

Sabiá: Isso é bom com meus patrocinadores, sem dúvida. Acho legal o povo conhecer a atividade que pratico, mas com certeza o lado ruim é que atrai muito prego para querer fazer. Isso me preocupa muito hoje em dia. Já tem até prego se achando instrutor de Base Jump, isso vai terminar em acidente feio em breve. É triste, mas nada se pode fazer. Não adianta dizer e explicar que é perigoso, que tem de treinar muito e mais uma porção de coisas, existem pessoas sem noção e cada um cuida da sua vida. Já ocorreram dois acidentes graves no Brasil, ambos estão bem hoje em dia, mas as pessoas estão começando achar que Base é super seguro e tranqüilo. Pode ate ser, se praticado corretamente.

Sportweb: Dos quatro tipos de salto de Base, qual o seu preferido?

Sabiá: Penhascos, sem dúvida. A magia da natureza, o sonho de voar…Deus no coração…

Sportweb: E para terminar, qual é o salto que você ainda não fez, mas está povoando os seus sonhos?

Sabiá: Segredo….



  1. Marcelo Almeida on Tera 19, 2007

    Sabiá é um grande amigo pessoal e além de piloto de parapente também fui paraquedista, ma fui militar e posso assegurar que são segundos entre o prazer e a drena correndo na veia. Saltar, decolar é realmente uma sensação única.

  2. sintia on Tera 19, 2007

    esse esporte e bastante perigoso pois ao mesmo tempo q vc se diverte vc se arrisca, pode ser q hoje vc esteja com sorte, mais amanhã vc não sabe,pense no hoje.

  3. Samyah on Tera 19, 2007

    Eu adorooo é muito loko d final de semana eu fasso isso !!!!^^;